A Crônica de Belém

Belém do Pará - Metrópole da Amazônia (há quem conteste tal título), símbolo da exploração do território amazônico e cenário de batalhas históricas. Uma cidade pujante. Assim é Santa Maria de Belém do Pará que no dia 12 de janeiro (2022) completou 406 anos de fundação. Fundada no ano de 1616 pelo capitão Francisco Caldeira Castelo Branco que tinha a missão de ocupar a foz do rio Amazonas e defender dos ataques inimigos de ingleses, franceses e holandeses. Na expedição também estava aquele que seria chamado mais tarde de "o conquistador da Amazônia", o Capitão Pedro Teixeira.
Feliz Luzitânia foi o nome dado ao fortim de madeira instalado por Castelo Branco, no pequeno lugarejo conhecido por Mairi, moradia dos Tupinambás e Pacajás, comandados pelo cacique Guaimiaba. Ainda em 1616 o povoado foi elevado à categoria de município e capitania com a denominação de Santa Maria de Belém do Pará ou Nossa Senhora de Belém do Grão Pará, a mando do rei Felipe de Espanha. Depois mudou para Santa Maria do Grão Pará; Santa Maria de Belém do Grão e finalmente Belém.
Ainda hoje Belém guarda o núcleo urbano que serviu de sede para o governo da província. As maravilhosas igrejas, o forte e prédios que deram dimensão de metrópole ao lugar.
Chamado de Complexo Feliz Lusitânia, região portuária da cidade, às margens da Baía de Guajará, o local preserva construções do período colonial. Recentemente revitalizado pelo Governo do Estado, o sitio abriga museus, restaurantes e oferece diversas opções de lazer.
Aqui estão a Igreja de Santo Alexandre, com seus belos jardins externos; o Museu de Arte Sacra, repleto de estátuas e artefatos religiosos que retratam a história regional; o Forte do Presépio e a Casa das 11 Janelas.
A obra mais antiga desse conjunto arquitetônico é o Forte do Presépio, localizado na praça Frei Caetano Brandão, Cidade Velha. É o marco da fundação da cidade de Belém.
Andando pelo sitio histórico de Belém deparamos com a igreja de Santo Alexandre, construída pelos jesuítas. De arquitetura pujante, prevalece o estilo barroco. Neste local é onde pregava o padre Antônio Vieira. O interior guarda riquezas inestimáveis como o altar e os púlpitos todos em madeira entalhada. Registros revelam que só para concluir as obras dos dois púlpitos foram 15 anos de trabalho meticulosos. Ainda na segunda metade do século vinte a igreja foi desativada e transformada em museu.
No seu interior estão guardadas relíquias, obras que foram trazidas de Portugal ainda no século XVII. São artes sacras, onde estão expostos acervos repletos de estatuas e artefatos religiosos.
A grandiosidade da arquitetura da capital paraense também salta aos olhos. Um dos destaques são as obras de estilo neoclássico do arquiteto italiano Antônio Landi. Entre elas a catedral Metropolitana da Sé. A obra combina três estilos arquitetônicos diferentes: o barroco, o colonial e o neoclássico.
As torres, semelhantes a da igreja das Mercês de Belém, também projetadas por Landi não tem paralelos no mundo luso-brasileiro e são inspiradas em modelos bolonheses, região de origem do arquiteto. A catedral contém um nicho com uma estatua de Nossa Senhora. A construção foi concluída em 1782.
Outras obras de Antônio Landi se destacam: o Palácio Lauro Sodré, sede da Coroa e que até pouco tempo abrigava o Governo do Estado e a Casa das Onze Janelas, construída no século XVIII para servir de residência a rico fazendeiro. A casa foi adquirida pelo governo da província e o arquiteto Landi a transformou no hospital real.
O Governo do Pará e a Intendência (prefeitura) de Belém reconstruíram a cidade durante todo o ciclo. À época chegaram a desenhar um projeto audacioso de transformar Belém em Paris.
E quase conseguiram, pelo menos exportaram da cidade luz uma arquitetura de encantar os olhos. Prédios renascentistas, igrejas monumentais, praças que nos fazem voltar no tempo. Aqui o poder da borracha fez brotar no chão úmido da floresta, um conjunto arquitetônico dos mais belos dos pais. Belém foi chamada de Paris na América.