Crônica de Redenção

Município de Redenção, com uma população de 85.597 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE.

A chegada de produtores rurais à região então conhecida como Boca da Mata, no início da década de 1960, marcou o início da formação do município de Redenção, no sul do Pará. O fluxo migratório foi impulsionado por incentivos da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM).

O processo de ocupação começou a partir da Fazenda Santa Tereza, propriedade do agrônomo João Lamari do Val. Ele foi acompanhado pelos pioneiros Ademar Guimarães, José Bueno Cintra e Gerudes Gomes da Silva. Atraídos pelo potencial mineral e vegetal da Serra dos Gradaús, os cidadãos Luiz Vargas Dumonte e Carlos Ribeiro também se estabeleceram na localidade, que na época pertencia ao município de Cumaru.

As primeiras moradias da antiga vila foram erguidas na atual Avenida Santa Tereza. Gerudes Gomes da Silva, falecido em 15 de abril de 2001, destaca-se como um dos primeiros residentes fixos do local.

A abundância de recursos naturais e a topografia plana da região motivaram o lançamento da pedra fundamental da cidade em 21 de setembro de 1969. O vilarejo inicial expandiu-se rapidamente, atraindo centenas de novos moradores em busca de oportunidades econômicas.

A consolidação urbana contou com o apoio essencial do médico e professor Giovanni Queiroz. Além de atuar na área educacional, Queiroz fundou o Hospital Nossa Senhora da Conceição, a primeira unidade de saúde da localidade. Anos mais tarde, o crescimento demográfico e econômico culminou na emancipação política do município.

A história de Redenção é marcada por ciclos econômicos intensos e um rápido crescimento populacional. O primeiro grande impulso ocorreu em 1972, quando a corrida ao extrativismo florestal atraiu empresários vindos do Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais. Originalmente ligada a Conceição do Araguaia, a localidade ganhou força política e foi elevada à categoria de Vila em 4 de junho de 1975, por meio da Lei nº 4.568.

O cenário transformou-se radicalmente em 1981, com a descoberta de ouro na região de Cumaru. O garimpo gerou uma nova onda migratória, atraindo trabalhadores do Piauí, Maranhão, Pernambuco e Bahia, além de pilotos de aviação que cruzavam os céus da região. Nesse período, a Vila consolidou-se como um efervescente centro de negócios, impulsionado pelo comércio de ouro e madeira.

Com o passar dos anos, o perfil de Redenção amadureceu. O espírito aventureiro dos primeiros pioneiros deu lugar a uma sólida mentalidade comunitária e ao desenvolvimento da cidadania local. O ápice desse processo ocorreu em 13 de maio de 1982, quando a Lei nº 5.028 — de autoria do então deputado estadual Plínio Pinheiro Neto — garantiu a emancipação política do município. Desmembrada de Conceição do Araguaia, a localidade passou oficialmente à categoria de cidade, mantendo o nome que carrega sua história.

Com uma população de 85.597 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE, Redenção consolida sua posição como um importante polo econômico regional. A cidade, que carrega em suas origens históricas a marcante presença de diversas aldeias indígenas da etnia Kayapó, destaca-se hoje pelo dinamismo em seu comércio local e pela força de seu setor agropecuário.

Pecuária de corte, principal motor econômico local, a atividade abastece grandes indústrias frigoríficas instaladas na região, incluindo unidades da multinacional JBS. A agricultura de grãos expandiu-se recentemente na região, atraindo investidores de diversas partes do país, motivados pelas condições climáticas favoráveis ao cultivo. O setor de comércio e serviços atrai moradores de cidades vizinhas de menor porte, consolidando o município como um polo gerador de empregos e renda.

A rede hidrográfica do município é estruturada por três rios principais, todos com nascentes localizadas na Serra dos Gradaús: rio Pau d'Arco, o curso d'água mais importante do município, que abriga o ribeirão Pau d'Arquinho, tradicional ponto de lazer e turismo da população; rio Salobro, localizado ao norte, atua como o limite territorial natural com o município de Rio Maria; rio Arraias; situado na porção sul, estabelece a divisa natural entre Redenção e Santa Maria das Barreiras.

O deslocamento rodoviário entre Redenção e a capital paraense, Belém, varia entre 836 km e 903 km, a depender da rota selecionada através de rodovias como a BR-155 e a BR-010. O tempo estimado de viagem reflete a extensão do trajeto: carro particular, o percurso é concluído em média entre 12 e 14 horas. Transporte coletivo, as viagens de ônibus costumam durar de 16 a 28 horas.

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