O drama de Celso Sabino dentro do grupo de Helder

Deputado federal Celso Sabino

Parecia estar escrito nas estrelas que a candidatura de Celso Sabino ao Senado teria aquele início, o atual meio e sabe-se lá qual fim. O ex-governador Helder Barbalho planejou um rumo político para aposentar seu pai como seu suplente e trabalhar a outra vaga no senado para o seu parceiro e amigo Chicão, atual deputado estadual e presidente da Alepa. Porém, o deputado federal Celso Sabino surgiu com interesse na vaga. Ele aproveitou a COP 30, como ministro do Turismo, para se projetar e se intitular "o cara do presidente Lula" no Pará.

Essa ideia fixa de Sabino em ser candidato a senador lhe trouxe, logo de cara, um problema em seu antigo partido, o União Brasil. Pouco antes da COP 30, a legenda havia travado uma desavença com Lula. Celso, contudo, focado em sua projeção, não deu importância aos desejos da direção nacional da sigla. Quando o partido saiu da base de apoio e pediu que todos entregassem os ministérios, Sabino permaneceu no cargo. Isso lhe rendeu a expulsão do União Brasil e a perda do comando da legenda no Pará.

Sem partido e destituído do ministério por Lula após a COP 30 — e com o retorno do União Brasil à base do presidente —, Sabino ficou a vagar atrás de uma sigla para se firmar como candidato ao Senado. Contudo, seu interesse confrontava, e ainda confronta, com os planos de Helder Barbalho. Diante de mais uma batalha difícil, o deputado federal não queria perder as benesses no governo do Estado. Por isso, filiou sua esposa, Erika Sabino, ao MDB para concorrer a deputada federal, enquanto articulava outro partido para sua própria candidatura ao Senado.

Sabino achou que estava fazendo uma grande jogada e uma articulação política genial. Ele só não contava que, na escola onde estudou política, Helder Barbalho é o professor. Foi aí que começou uma pressão que pode deixar tanto ele quanto sua esposa fora do poder. Tentando pegar carona na barca vermelha do PT no Pará, Celso buscou o apoio de lideranças históricas como Paulo Rocha e Ana Júlia. No entanto, o acordo principal de Lula é com o "Rei do Norte", que apenas evitou citar o nome do presidente em seus comícios. Logo, tudo mudou: Paulo Rocha abraçou a candidatura de Chicão, o PT no Pará mudou o ritmo do tecnobrega, e o ex-ministro, a cada nova pesquisa de Helder, parece dançar o chorinho.

Profile

Jece Cardoso

Colunista

O Desafio Democrático no Pará: Entre o Ruído Eleitoral e a Realidade Fiscal

Jece Cardoso

O drama de Celso Sabino dentro do grupo de Helder

Jece Cardoso

Candidatura de Marília Mello mexe com o cenário político de Marituba

Jece Cardoso

O contraditório da Suprema Corte brasileira

Jece Cardoso

Xadrez Político no Pará: quem fica com as vagas na Câmara Federal?

Jece Cardoso

Tags