Parece que nós brasileiros, nos acostumamos com a corrupção!

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Habitualmente, ao assistirmos aos noticiários em nosso país, nos deparamos com os mais diversos casos de corrupção, esta nos parece, que se tornou um dos principais problemas para a gestão pública e para a democracia brasileira.

A propósito, a origem etimológica da palavra corrupção, vale mencionar a definição trazida por Zancanaro (1995), o qual ensina que o termo provém do verbo, em latim, rumpere e do substantivo corruptio. Rumpere traduz-se por romper, fender, separar, quebrar, decair, interromper; e o substantivo corruptio pode ser traduzido por: depravação, deterioração, prostituição, corrupção. Deduz-se, com base nessa definição, que a corrupção seria a deterioração do ser humano em razão de motivações ou fatores internos ou externos.

O Brasil atingiu em 2025/2026 sua pior marca no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), ficando na 107ª posição entre 182 países com apenas 35 pontos (em 100), indicando estagnação e fragilidade institucional. A corrupção é vista como um problema grave, com foco na infiltração do crime organizado no Estado, desvios em emendas, e a permanência de "pequenas corrupções" no dia a dia (jeitinho) do brasileiro.

A percepção de que o brasileiro "não liga" para a corrupção tende a ser complexa e pode envolver fatores culturais, históricos, psicológicos e sociais, porém, não significando necessariamente apoio ao ilícito, mas sim, uma mistura de resignação, desilusão, naturalização ou incapacidade de se voltar contra ela, quando se beneficie desta por algum motivo.

Frequentemente, atribui-se como uma das causas que propiciam à ocorrência do fenômeno da corrupção no Brasil a herança histórica deixada pela colonização portuguesa. O patrimonialismo ibérico associado ao famoso “jeitinho brasileiro” e à cultura da personalidade teriam contribuído para a formação dos traços característicos de nossa sociedade.

Nesse contexto, no Brasil, houve forte preferência pelo universo das relações pessoais, em detrimento do universo das relações impessoais, onde há regras universais para todos. Há um sistema dual: de um lado, encontra-se um sistema de relações pessoais estruturadas; e de outro, um sistema legal e individualista (fundado no indivíduo). Tal dicotomia deu azo, então, ao surgimento da seguinte expressão: “Aos inimigos, a lei; aos amigos, tudo!”, melhor dizendo: “aos bem relacionados, tudo; aos indivíduos (os que não têm relações), a lei”.

Devemos, contudo, a partir de tal leitura, não atribuir ao legado deixado pelo processo de colonização portuguesa ou ao caráter do brasileiro as principais causas para a corrupção percebida em nossa sociedade e interpretar tal fato como consumado e imutável, aguardando passivamente por uma ruptura conduzida por um salvador da pátria, para que ocorra a transformação da sociedade brasileira. O que há, em nosso país, tão diferente em comparação com outros países desenvolvidos tal fato da corrupção até certo ponto pensarmos em ser institucionalizada por aqui?

A corrupção está relacionada a uma construção social em que ocorre um divórcio entre normas morais e prática social, ou seja, um conflito entre os juízos morais de valor - pautados pela vida em excelência - e os juízos de necessidade - pautados pela vida cotidiana. Desse modo, diante da antinomia entre normas morais e prática social, há uma flexibilização dos juízos dotados de valores públicos, que se curvam diante dos juízos de necessidade, sejam quais forem estes, propiciando, dessa forma, a ocorrência da corrupção.

Assim, faz-se premente uma profunda reflexão sobre o assunto em nossa sociedade, com vistas a conscientizar as elites, os governantes e a sociedade, sobre as verdadeiras causas da ocorrência da corrupção e sobre a importância de se buscar soluções efetivas para o problema.

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Jece Cardoso

Colunista

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