Lixão de Marituba e os protestos no Acará e Bujaru

Protestos nos municípios do Acará e Bujaru por causa da instalação de um aterro sanitário

Com a problemática do aterro sanitário em Marituba, que já perdura por 11 anos, os municípios de Belém, Ananindeua e Marituba seguem com os seus dilemas: “onde pôr os lixos coletados em seus respectivos territórios?”. Em função desses municípios não terem se preocupado ao longo de décadas com políticas públicas ao descarte dos resíduos sólidos, onde um lixão no Aurá, município de Ananindeua, era o destino, porém, em detrimento a contaminação das nascentes e mananciais que abastecem os lagos Bolonha e Água Preta, quando estudos demonstraram que o depósito de lixo ficava a pouco mais de 1 km de distância do lago Água Preta, facilitando a contaminação por percolação do chorume, especialmente através das águas subterrâneas e do rio Aurá, sendo estes lagos fundamentais ao abastecimento de água na região metropolitana de Belém, o aterro em Ananindeua fora aparentemente proibido, assim, surge o aterro sanitário em Marituba, onde mais de uma década já se passou e nos parece que não há uma preocupação com o rio Oriboquinha em solo maritubense.

O Ministério Público paraense já advertiu que o lixão em Marituba não tem mais condição de receber lixos desses três municípios, que já extrapolou o seu limite, todavia, governo do estado e as três prefeituras, sem políticas publicas para o destino do lixo, não sabem o que fazer.

A busca em construir um aterro sanitário nos limites dos municípios de Bujaru e Acará tem sofrida resistência da população local, onde protestos contra a instalação deste (frequentemente referido como "lixão" pelos moradores) virou instrumento de luta, com mobilizações intensas entre 2025 e 2026. Os moradores e comunidades tradicionais temem a contaminação de rios, nascentes e a destruição de seus modos de vida.

Os principais pontos assinalados pelos moradores ao entorno do projetado aterro são:

Impacto no Acará e Bujaru: O projeto visa um aterro de 200 hectares para receber o lixo da Região Metropolitana de Belém, afetando diretamente comunidades tradicionais, ribeirinhas e mais de 17 comunidades quilombolas, sem a devida consulta prévia.

A população denuncia o risco de poluição por chorume, que pode contaminar o solo e os lençóis freáticos, além do mau cheiro e poluição do ar.

Em fevereiro de 2026, uma audiência pública sobre o aterro foi suspensa após tumulto e forte oposição dos moradores, onde o Governo do Pará, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Semas), negou a licença ambiental à implantação do aterro na região.

Por outro lado, o Ministério Público Federal (MPF) recomendou a anulação da audiência pública e a suspensão do licenciamento, citando a falta de consulta às comunidades quilombolas.

Assim, quem continua com o seu dilema, é a população maritubense, pois o “lixão de Marituba” tem o seu prazo de validade, até ano que vem e, segundo especialistas, não tem mais como avançar no minúsculo território de Marituba e as providências dos gestores são as piores possíveis, e continuam sem políticas públicas para o destino do lixo na capital e dos municípios próximos.

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Jece Cardoso

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