Voto inconsciente no Brasil

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Em torno de 160 milhões de brasileiros estão habilitados para votarem no pleito deste ano, e muitos analisando perfis nas redes sociais e notícias sobre postulantes candidatos que sinalizam concorrerem em 2026, alguns eleitores ponderando prós e contras e tentando dar algum sentido à decisão que terão que tomar em outubro, quando a urna eletrônica perguntará sobre o seu candidato favorito para governar e legislar. Essa pode ser uma decisão fácil para alguns, mas boa parte do eleitorado muda de opinião ao longo da corrida eleitoral e só consegue chegar a uma conclusão nas últimas horas, quando não minutos, antes de enfrentar a urna.

A psicologia social hoje entende o ato de votar como um dilema informacional, e uma maneira de entender esse dilema é criando categorias para certos tipos de comportamento. Imagine a seguinte situação: você precisa confiar em um determinado amigo para escolher o filme que vocês vão assistir no cinema. No seu rol de opções, há três tipos de amigos: um que tem o gosto parecido com o seu, mas talvez não esteja muito bem informado sobre quais filmes estão em cartaz; outro que sabe tudo sobre cinema e leu todas as resenhas, mas não parece ter o gosto igual ao seu; e ainda um terceiro sobre o qual você não sabe muito bem o gosto nem o quão informado está, mas que já escolheu um filme ótimo em uma ocasião passada.

Essa analogia, criada pelo psicólogo social Jon Krosnick, da Universidade de Stanford, ajuda a entender o dilema que o eleitor enfrenta na hora de eleger um candidato. Segundo ele, os eleitores podem ser classificados com base nesses três tipos de escolha. Há quem prefira votar em quem partilha as mesmas opiniões políticas ou ideológicas – normalmente, são os que já decidem em quem votar no começo da corrida, com base, por exemplo, no partido. Outros eleitores preferem dar seu voto em quem acham que será mais capaz de administrar a cidade – uma pergunta cuja resposta não só varia de pessoa para pessoa, mas que pode mudar ao longo da campanha. E há os que decidem de acordo com o que sabem do passado dos candidatos – e que, por isso, também estão sujeitos a mudar de opinião no decorrer dos debates eleitorais.

Essas três categorias, no entanto, são apenas abstrações. Elas contribuem para a interpretação do fenômeno do voto, mas nem sempre as pessoas se encaixam perfeitamente dentro de uma – ou nem os candidatos têm o perfil exato para incentivar um determinado tipo de escolha. O primeiro estudo sobre a análise municipal do voto feito no Brasil, pelo professor da Universidade de São Paulo Aziz Simão em 1954, já percebia a dificuldade em criar categorias para analisar o comportamento eleitoral.

Tudo passa não somente pelo o interesse coletivo, mas também se afunila pelo pessoal, principalmente em municípios onde a prefeitura detém o poder maior de decisões e domínio do legislativo e forte influência no judiciário, onde a sociedade local para conseguir que suas demandas sejam atendidas não as veem andar, mas sim: engatinhar.

O que fazer quando a máquina pública subtrai a força da sociedade e a faz refém de interesses exclusivamente políticos de uma minoria?

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Jece Cardoso

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