Presa a velhas práticas e erros do passado, oposição em Marituba pavimenta caminho para sucessor da prefeita

Ex-prefeito Mário Filho e o ex-vereador Everaldo Aleixo

A recente articulação na Câmara Municipal, que resultou na reprovação das contas do exercício de 2014 do ex-prefeito Mário Filho — tornando-o inelegível —, demonstrou a força política da prefeita Patrícia Alencar. Além disso, a gestora conseguiu desarticular a influência de Mário Filho e de Everaldo Aleixo na composição da Mesa Diretora do Legislativo, mesmo com a anuência do governador eleito, Daniel Santos (PODE). O episódio deixou claro que ambos os líderes da oposição carecem de respaldo político entre os vereadores e não dão sinais de conseguir formatar uma aliança sólida.

Marituba vive hoje uma nítida carência de novas lideranças com viabilidade própria para a disputa proporcional. Os pequenos blocos políticos com estrutura para bancar candidaturas ao cargo de vereador estão alinhados à prefeita. O mesmo ocorre com lideranças testadas nas urnas que detêm uma média de 500 votos. Diante desse cenário, a oposição enfrenta uma dificuldade imensa para estruturar nominatas capazes de atingir o quociente eleitoral ou mesmo de disputar as vagas das sobras.

Erguer uma oposição competitiva se torna uma tarefa cada vez mais difícil, principalmente porque os aliados do governador eleito não se entendem, colocando projetos pessoais acima dos interesses de Marituba e de seu povo.

Everaldo Aleixo, que ao longo de anos de militância política local não se qualificou para o Executivo — acumulando derrotas consecutivas —, mantém a mesma postura. Para piorar sua situação, entrou em rota de colisão com importantes lideranças locais, o que inviabiliza a formação de uma chapa forte de vereadores. Se a eleição fosse hoje, seu grupo dificilmente elegeria um representante na Câmara.

Já Mário Filho, apesar do desgaste natural de ex-prefeito, tentou se reconciliar com lideranças com quem tinha divergências, mas já não articula com a eficácia do passado. Agora, com a decisão da Câmara Municipal que rejeitou suas contas de 2014, o cenário se complica. Como o Legislativo local ainda julgará as contas de 2015 a 2018, a tendência é que novos pareceres negativos sejam emitidos. Restará a ele recorrer à Justiça para tentar se habilitar para 2028. Para a população maritubense, o filme se repete: o cenário lembra 2012, quando Mário concorreu sub judice, gerando uma instabilidade política que culminou em uma eleição suplementar no município.

É em meio a esse cenário caótico da oposição que a atual prefeita enxerga a grande possibilidade de fazer o seu sucessor, mesmo sem o apoio do governo do Estado. O que se vê em Marituba é uma oposição que comete os mesmos erros do passado, impede o surgimento de novas lideranças e, embora esteja alinhada ao novo governo do Pará, permanece velha em suas práticas, eivada de mesquinharia, insensatez e fome de poder, sem apresentar nenhum diferencial em relação à atual gestão.

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Jece Cardoso

Colunista