"País um pouco difícil" e "perigoso politicamente"

Ilustração

Esta é uma declaração do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o 47º mandatário da história do país. Mas por que isso choca algumas pessoas? O Brasil não é difícil e perigoso apenas em uma pseudopolarização superficial entre esquerda e direita; a nação é perigosa e difícil em muitos outros aspectos, principalmente para a sua própria população. No entanto, foi preciso um estrangeiro de fora vir falar isso para que nós, brasileiros, viéssemos a dar importância aos termos.

Nos últimos anos, a ideia de que há uma polarização na cena política nacional tem sido disseminada e reproduzida pelos diferentes campos ideológicos. Esse fenômeno significa que as pessoas estão se dividindo em posições radicalmente opostas. Contudo, há controvérsias. Tomemos, por exemplo, a política do Pará, onde os pensamentos de esquerda e direita ora se fundem, ora se dividem, dependendo de interesses — não ideológicos, mas de poder. No Brasil, o que se observa é que o conceito de esquerda e direita não tem importância em sua essência; o que vale é o caminho para se chegar ao poder.

Contudo, esses não são termos aleatórios: eles se baseiam historicamente em uma disputa que constitui a própria estrutura de uma sociedade. Ocorre que ignorar o conteúdo histórico de tais conceitos, de propósito ou não, passa a ser um ato de pura alienação. Há também o esforço de transformar a direita em uma vertente política estritamente judaico-cristã e de utilizar a violência alarmante do país como plataforma de discurso, muitas vezes proferido sem embasamento real. Na prática, contudo, os estados e municípios administrados pela direita no Brasil não fogem à regra nacional: enfrentam a mesma realidade de violência contra mulheres, crianças e idosos, além de deficiências na educação e na saúde — áreas que a direita costuma defender fervorosamente na teoria.

Estamos em um cenário nacional aquém dos pensamentos de esquerda e direita, infelizmente. Vemos nações de esquerda ou de direita avançarem no mercado multilateral, enquanto ainda pensamos que "menino deve vestir azul e menina deve vestir rosa". O princípio da esquerda defende que os direitos civis e políticos são insuficientes e que, por isso, é preciso impor limites ao poder dos proprietários e desmercantilizar a sobrevivência das pessoas via direito do trabalho, previdência pública, além de serviços públicos universais e gratuitos. Para a direita, as relações de mercado ocorrem entre pessoas livres e iguais, e o Estado deve garantir, a todo custo, a propriedade e o seu exercício.

Como as experiências históricas mostram, entre a esquerda e a direita, há várias combinações possíveis de posições e políticas públicas a serem propostas e adotadas em uma sociedade capitalista — incorporando mais ou menos direitos sociais e limitando, em maior ou menor grau, o poder dos proprietários. No entanto, estamos vendo o extremismo dominar a mente de muitos brasileiros, principalmente daqueles que consomem informação da forma exata como a direita ou a esquerda desejam que o façam. Por fim, o Brasil não é um país perigoso politicamente apenas hoje. O pior para todos nós, brasileiros, é que não sabemos o melhor caminho para alcançar melhorias, pois a nossa educação mal nos permite ler, sem compreender a realidade.

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Jece Cardoso

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