Dados do Bolsa Família revelam o drama social de Marituba, onde quase metade da população luta pela sobrevivência básica

A realidade que o governo municipal não mostra

O Bolsa Família é um programa de transferência de renda criado pelo Governo Federal com o objetivo principal de combater a fome, a pobreza e a desigualdade social. Ele atua para amenizar o sofrimento de quem não tem o que comer, funcionando como uma medida paliativa até que o beneficiário se desenvolva e conquiste a sua própria independência financeira.

No estado do Pará, de acordo com dados oficiais da PNAD Contínua divulgados pelo IBGE, o percentual total de indivíduos que dependem diretamente do benefício gira em torno de 40,99% de toda a população paraense. Na Região Metropolitana de Belém, desconsiderando a capital, o município com o maior índice de beneficiários é Marituba. Com uma população estimada pelo IBGE em 119.437 habitantes, a cidade possui 46% de seus moradores cadastrados no programa, uma média que supera a do próprio estado.

Marituba foi emancipada em 1994 com o propósito de se desenvolver e proporcionar melhorias à sua população. Contudo, ao longo dessas décadas, vem encontrando sérias dificuldades. Hoje, vê quase metade de seus habitantes lutando para escapar da pobreza extrema — pelo menos é o que apontam os cadastros do Bolsa Família.

Além dos problemas ambientais que deterioraram a qualidade de vida local, como o polêmico aterro sanitário e os inúmeros cemitérios particulares, o município figura no ranking das 20 cidades com mais de 100 mil habitantes mais violentas do Brasil, liderando esse índice no Pará. A cidade também enfrenta dados alarmantes na saúde, situando-se entre as 20 mais afetadas por contaminações de HIV no país. Emoldurada como uma cidade-dormitório e sem perspectivas de emprego, onde a prefeitura atua como o maior empregador, Marituba sofre com o predomínio do tráfico de drogas — cenário ilustrado recentemente pelo caso de um perigoso traficante do Amapá que se escondia na própria Guarda Municipal. Esse alto índice de dependência do Bolsa Família expõe a gestão caótica do município, tornando-se um reflexo vergonhoso para a classe política local.

Para fins de comparação, vale analisar os números do Bolsa Família em outros municípios paraenses, da RMB:

Ananindeua: Apesar de ter a segunda maior população do estado (509.227 habitantes), apresenta o menor percentual de beneficiários da região, com apenas 10,2% de sua população recebendo o auxílio.

Castanhal: Com 209.126 habitantes, registra 11% de sua população dependente do benefício.

Barcarena: Com 139.076 habitantes, tem uma taxa de 13% de beneficiários.

Os municípios de menor porte populacional apresentam taxas proporcionalmente maiores do que Ananindeua, Barcarena e Castanhal, embora ainda fiquem bem abaixo dos índices de Marituba:

Benevides: Possui 63.567 habitantes e 35% da população assistida pelo programa.

Santa Isabel do Pará: Conta com 73.019 habitantes e também registra 35% de beneficiários.

Santa Bárbara do Pará: Com uma população de 21.087 habitantes, tem 27% de seus moradores recebendo o benefício.

Profile

Jece Cardoso

Colunista

Dados do Bolsa Família revelam o drama social de Marituba, onde quase metade da população luta pela sobrevivência básica

Jece Cardoso

Racha antecipado na base de Patrícia Alencar pode redesenhar o cenário político em Marituba

Jece Cardoso

Vereador Antônio Armando Júnior pede afastamento da Câmara de Marituba. Entenda os bastidores da decisão.

Jece Cardoso

Bastidores de Marituba e o tabuleiro do poder

Jece Cardoso

Patrícia Alencar isola aliados

Jece Cardoso

Tags