Bastidores de Marituba e o tabuleiro do poder
O ex-prefeito Antônio Armando planeja o retorno de seu “grupo político” ao poder em Marituba, assim, vai articulando a candidatura de sua filha, Erika de Castro Sabino, à Câmara dos Deputados. Enquanto a atenção pública se divide com os jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, os bastidores da política maritubense seguem aquecidos. O experiente cacique político — que soma três mandatos de deputado estadual e dois como prefeito do município — projeta ações não apenas para as eleições de 2026, mas também para o pleito municipal de 2028.
O plano de Antônio Armando não visa o seu protagonismo direto, mas sim o fortalecimento de sua descendência política. Sua filha, Erika de Castro Sabino, já iniciou agendas e caminhadas estratégicas pelas comunidades de Marituba.
Filiada ao MDB, Erika entra no cenário para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. A movimentação visa herdar a base eleitoral do marido, o atual deputado federal Celso Sabino, que projeta voos maiores na política estadual.
A articulação local está diretamente conectada com o xadrez político do governador Helder Barbalho. Confira as projeções das lideranças envolvidas:
Antônio Armando (Pai) atua como o principal estrategista de bastidor, usando sua experiência partidária para consolidar o nome da filha no município onde foi prefeito.
Erika de Castro Sabino (Filha), pré-candidata a deputada federal pelo MDB, focada em manter o legado da família na região.
Celso Sabino (Genro), atual deputado federal que pleiteia espaço na chapa majoritária governista, figurando como cotado para disputar o Senado Federal ou o cargo de vice-governador.
Com essa engenharia política, o clã de Antônio Armando tenta unificar a tradição local ao peso do diretório estadual do MDB, consolidando Marituba como um colégio eleitoral estratégico para os próximos anos.
Impactada pelos desdobramentos da Operação Expertise, a prefeita Patrícia Alencar tenta demonstrar força política e manter o controle do município junto aos Barbalhos. Contudo, a reta final de seu mandato desenha um cenário desafiador.
A gestora fragmentou o próprio grupo ao pulverizar apoios para diferentes candidaturas à Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) e à Câmara Federal.
A estratégia tende a enfraquecer a manutenção de sua base aliada, cenário ao qual se soma a ausência de um sucessor. A falta de um nome de consenso impede a unificação do grupo político, abrindo espaço para o crescimento do clã Antônio Armando, que avança estrategicamente sobre as bases governistas.
Por outro lado, o ex-prefeito Mário Filho optou pela reestruturação de sua base. Aliando-se ao espectro da direita, o político selou uma aliança com o PL e com o eleitorado bolsonarista para consolidar essa vertente ideológica no município. Em paralelo, MF flerta politicamente com Daniel Santos, ao mesmo tempo em que mantém canais abertos de diálogo com as demais lideranças oposicionistas e até governistas.
Nesse cenário de construção e reconstrução, é importante salientar com quem há possibilidades de diálogo para a formação de grupos políticos agora, mas já de olho em 2028. Entende-se que lacunas inflamáveis foram deixadas e os interesses de poder são similares; porém, construir musculatura política desde já tende a fortalecer os envolvidos para 2028. Logo, o temor é que o clã Antônio Armando eleja Erika de Castro Sabino deputada federal e Celso Sabino senador ou vice-governador. Este cenário os fortaleceria para 2028, contudo, as alianças com os principais caciques locais não estariam garantidas em função das rixas deixadas no passado.
Vejamos: “Mello conversa com Mário, que conversa com Moysés Mendes e com Everaldo Aleixo; mas, destes, quem conversaria com Patrícia Alencar?”. “Mello, Moysés Mendes, os Besteiros e Mário Filho conversariam com Antônio Armando?”. “Everaldo Aleixo conversa com Antônio Armando, com Mário Filho, com Moysés Mendes e até com Mello; mas conversaria com Patrícia Alencar?”. Nesse vaivém de diálogos, há apenas uma vaga para a cabeça de chapa, onde só os mais fortalecidos terão musculatura para entrar no ringue e vencer.
