Marituba vive os bastidores de 2026 rumo a 2028
O empate técnico cravado pelas pesquisas entre a governadora Hana Ghassan e o ex-prefeito Daniel Santos transformou os bastidores políticos de Marituba em um verdadeiro jogo de xadrez. No centro desse tabuleiro, a prefeita Patrícia Alencar chamou para si a responsabilidade e assumiu a liderança do clã Barbalho no município. A missão? Carregar as campanhas de Helder Barbalho e Chicão ao Senado, do ex-ministro Jader Filho para deputado federal, e da matriarca Elcione Barbalho à Alepa.
Para amarrar esse superbloco, Patrícia abriu mão do controle total: liberou os vereadores para apoiarem seus próprios deputados estaduais e federais. A única exigência inegociável é a fidelidade cega à chapa majoritária de Hana, Helder e Chicão. No papel, o Executivo e o Legislativo fingem navegar em águas tranquilas em 2026. Na realidade, o clima é de extrema tensão, com os olhos cravados em 2028.
A sucessão de Patrícia Alencar virou um perigoso jogo de pisar em ovos. Enquanto a prefeita já desenha seus favoritos nos bastidores, aliados também começam a traçar suas estratégias particulares, porém sem atritos com a gestora. O vereador Allan Besteiro corre por fora apoiando Thiago Araújo para a Alepa, de olho na sucessão municipal. O vereador Dr. Diego avança no mesmo sentido, apoiando a reeleição de Carlos Vinícius a estadual.
Para inflamar ainda mais a disputa interna, o atual presidente da Câmara, Raimundo Carneiro, também quer o topo e fechou uma aliança de peso com o deputado federal Antônio Doido e Andréa Dantas. A briga para ver quem será o ungido de Helder Barbalho em 2028 virou uma batalha silenciosa e estratégica; o desempenho das urnas funcionará como o principal álibi, definindo quem sairá fortalecido.
Nesse cenário, o casal Mello e Marília buscará musculatura política fora do município ao apoiar a reeleição de Chamonzinho a deputado estadual. Já o clã “Armando Sabino” aposta suas fichas na candidatura de Érika de Castro Sabino para deputada federal — ela é filha do ex-prefeito Antônio Armando. Seu marido, Celso Sabino, disputa o Senado pelo PDT, enfrentando uma corrida acirrada em que amarga as últimas posições entre os principais concorrentes ao cargo.
Correndo por fora dessa bolha governista, a oposição se movimenta para tentar quebrar a hegemonia. O ex-prefeito Mário Filho assumiu o comando do PL, enquanto o ex-vereador Everaldo Aleixo articula as forças do Podemos no município. Toda essa engrenagem, porém, depende exclusivamente do resultado para o Governo do Estado. Se Hana Ghassan vencer, Helder Barbalho continuará ditando as regras com mão de ferro nos municípios onde o MDB reina, restando à oposição uma tentativa desequilibrada de sobrevivência contra as máquinas estatal e municipal. Mas, se Daniel Santos chocar o estado e vencer a eleição, o cenário muda drasticamente: a oposição ganha oxigênio puro e o grupo de Patrícia Alencar desaba completamente, desestruturando-se para 2028.
