Racha antecipado na base de Patrícia Alencar pode redesenhar o cenário político em Marituba
Nos bastidores políticos de Marituba, a avaliação é de que a gestão da prefeita Patrícia Alencar perdeu o fôlego necessário para o pleito de 2028. A expectativa inicial de que a base governista se fragmentaria apenas às vésperas da próxima disputa municipal foi antecipada: no atual cenário das eleições de 2026, choques de interesses já provocam o primeiro racha no grupo aliado.
Os planos da gestora de concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados recuaram após uma série de operações deflagradas pela Polícia Federal (PF), Controladoria-Geral da União (CGU), Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Civil. As investigações ganharam forte repercussão após a descoberta de que um suspeito de alta periculosidade estava abrigado na Guarda Municipal. Diante do desgaste, a prefeita recuou em suas pretensões de ascensão nacional e agora tenta demonstrar força política local junto ao clã Barbalho, enquanto enfrenta o avanço do grupo liderado pelo ex-prefeito Antônio Armando.
Paralelamente, o desgaste acelerado da mandatária inviabiliza a construção de um nome para a sua sucessão. A crise se agravou devido aos constantes alagamentos no município e às cobranças sobre as promessas de macrodrenagem com verbas federais. O projeto, anunciado pelo ex-ministro Jader Filho, previa investimentos em torno de R$ 30 milhões. No entanto, a população e a opinião pública cobram explicações sobre o destino de aproximadamente R$ 10 milhões que teriam sido recebidos antes das enchentes.
Pressionada nas redes sociais, Patrícia Alencar tenta resgatar a popularidade do início do mandato, mas esbarra na falta de eco político. Diante do desconforto, novas alas surgem dentro de seu próprio grupo. Para tentar abafar o movimento, a prefeita passou a pulverizar apoio entre diversas pré-candidaturas aos legislativos estadual e federal, estratégia que acabou gerando novos adversários internos. Caso os projetos políticos de Celso Sabino e Antônio Armando avancem, a fragmentação da base governista deve se consolidar logo após as eleições de 2026, reduzindo drasticamente o espaço e a visibilidade da gestora dentro do MDB.
