Ei, professor, eu já passei

Ilustração ANF

Essa é uma frase que hoje se ouve muito nos corredores das escolas públicas dos Estados. O estudante falta às aulas, não faz as atividades, e, muitas vezes, mesmo estando na escola, não entra na sala de aula, na famosa “gazeta”; porém, no fim do ano, está “aprovado”, “gozando” da cara de professores, da gestão, dos funcionários e dos próprios colegas de turma, que tanto se esforçaram e que são, realmente, os verdadeiros merecedores da aprovação.

E está medida, muito criticada por educadores e por todos os que promovem o ensino, em vez de melhorar e alcançar a tão desejada qualidade, acaba por desvirtuar essa busca histórica, resultado de tantas batalhas e lutas para tornar a educação um verdadeiro salto, uma alavanca para ungir milhões de jovens e de adolescentes na direção de um futuro menos dorido e mais digno e gratificante, especialmente para as camadas mais desassistidas e vulneráveis socialmente, pois estamos falando da educação pública.

Ou seja: aprovar estudantes sem condições mínimas de aprendizado e jogá-los no limo da desqualificação, com certificados de conclusão meramente figurativos, sem a devida força para inseri-los no competitivo mercado de trabalho ou mesmo para que possam disputar uma vaga no Ensino Superior em condições de competitividade com aqueles que vêm da escola privada, parece ser o único objetivo desse sistema.

Mas aprovar é preciso, pois o que parece importar mesmo são números volumosos, vultosos, estatísticas que elevam apenas números frios, sem o necessário e esperado respaldo da qualidade tão e sempre buscada.

Nas chamadas provas externas, como ocorre com o Sistema de Avaliação da Educação Básica, o famoso SAEB, o sistema busca, freneticamente, estudantes em suas próprias casas para realizar a prova, faz todo um trabalho de conscientização, as escolas passam a respirar SAEB por todos os poros do corpo, porque o que vale mesmo são os 100% de presença, e a qualidade vai ficando na rabeira do processo.

Há, ainda, o tal do doping financeiro, a famosa mala preta, como no futebol, para seduzir professores e funcionários com bônus para que todos se envolvam no processo até o pescoço.

Para se ter uma ideia, o Estado do Pará passou de semilanterna no IDEB (Índice do Ensino Básico), que é outro indicador de medição dos índices de educação do país – por favor, sem nenhuma referência a nenhum time do Pará – para o inacreditável 6° lugar, isto no Ensino Médio, fato explorado e cantado em verso e prosa ao extremo pelo Governo do Estado.

Mas, no chão da escola, mudanças nos níveis de qualidade do ensino pouco se vê, com escolas sem condições satisfatórias em sua estrutura física, com profissionais da educação sem reajuste, até agora, em seu Piso Salarial, além de um cruel e ilegal assédio moral por parte do sistema, que quer resultados imediatos, que adoece o professor, mas sem o devido retorno em forma de valorização.

Ei, professor, eu já passei

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