A rainha que derrubou os reis: o xadrez da política de Marituba

Patrícia Alencar entrega migalhas no governo municipal, mas despeja ilusões nas redes sociais. Ela é um fenômeno digno de assunto de uma crônica que contarei em 4 capítulos, como ela passou de uma mulher “submissa da família”, para uma mulher “empoderada da política”, dando um nó em políticos tradicionais e mudando o “status quo” da política de Marituba.
Cap. I “O surgimento da Dama”
No Xadrez, os reis são as peças centrais, porque sem eles não há jogo, tudo gira em torno deles, direta ou indiretamente, seja para atacá-lo ou defendê-lo, seja para enfraquecê-lo ou fortificá-lo.
Mas e a tal da Rainha? Antes de tudo, meu caro leitor, a denominação mais usual no Brasil é Dama, e é ela que usarei.
Fora de um contexto posicional, a Dama é sem sombra de dúvida a peça mais poderosa, sua mobilidade em todas as direções lhe dão uma importância estratégica, um lance é capaz de mudar a tensão do jogo, sim! Ela é um general, ela comanda as tropas enquanto o rei fica ali no conforto do seu castelo (roque, na terminologia enxadrística).
A política de Marituba viveu seus “dias de Xadrez”, tudo começou bem antes de 2020, até culminar em um “lance de Dama” que mudou a história da política do município, é o que conto a partir de agora.
Alguns anos antes de 2020, os “Reis” da política de Marituba não se sentiam ameaçados por qualquer mulher, até surgir uma que emergia entre as “estruturas” da Igreja Católica: Patrícia Mendes, mais conhecida como esposa de um empresário chamado Moysés Mendes. Logo que os seus nomes chegaram aos meus ouvidos, chegaram também as histórias (ou estórias), mas tantas entre “más e más”, que não é errado pensar que seguiam a famosa frase atribuída ao ator e diretor Henri B King: “falem mal, mas falem de mim”.
Em 2019, seu nome já era certo para as eleições de 2020, seu perfil foi esculpido nos padrões de mulher, esposa, mãe e empresária de família tradicional. “Outdoors” pela cidade mostravam uma “família perfeita” na figura do marido, da esposa e dos filhos, o que o tempo provou não ser, em reuniões, ela apresentava um discurso vago, propostas irreais, requintes de um novo populismo barato adaptado muito bem para as redes sociais. Se tudo isso foi arquitetado ou obra do acaso, não sei, se o arquiteto foi seu marido, não sei também, o que sei é que isto caiu nas graças do povo de Marituba.
A vitória em 2020 não foi acachapante, mas foi suficiente para derrubar o segundo rei, o ex-prefeito Mário Filho. O segundo? Como assim? E o primeiro? Ah… o primeiro rei, ela enterrou na pré-campanha quando o colocou em seu palanque, afinal, ninguém desprezava o peso que tinha o ex-prefeito Antônio Armando àquela altura.
Vencer Mário Filho e domesticar Antônio Armando foram os primeiros xeque-mates, mas o primeiro ano de governo revelou um desafio maior: Moysés Mendes, seu marido.
Cap. 2 “A libertação da Dama”
A inexperiência no primeiro ano de governo ficou evidente em Patrícia Mendes e ela se deixou ser vítima das ordens de um outro Rei: seu marido.
Disseram-me as línguas, que por aquela prefeitura passavam, que os conflitos foram se tornando constantes devido ao comportamento de Moysés Mendes, que se portava como o prefeito, uma espécie de prefeito por merecimento, afinal, acreditava-se que ele era o “grande responsável” pela eleição de sua esposa, outra coisa que o tempo provou não ser.
Mas como se livrar de um acessório que foi tão explorado no perfil durante a campanha? A resposta estava em um lance à altura de Gary Kasparov.
Da submissão ao empoderamento, Patrícia Mendes expôs em um podcast seu relacionamento abusivo, acusando o pai de seus filhos de a controlar e a violentar de todas as formas, rompia-se ali a família perfeita, e o terceiro rei era derrubado: xeque-mate.
Cap. 3 A reinvenção da Dama
A maioria dos políticos não tem capacidade ou coragem de se reinventar, mas Patrícia Mendes, agora Patrícia Alencar, rompeu com este padrão. Ela não hesitou em mudar seu perfil, do simples ao luxuoso, do casto ao sensual e da “mulher da família” à “mulher da política”.
O quarto rei que Patrícia Alencar derrubou, não é um rei personificado, é um rei revestido de ações contra seu novo perfil, que incomodou àquela linhagem de políticos e capachos que uma vez órfãos dos cofres públicos sentiam-se incomodados com a sua ascensão. É claro que estou falando da “oposição”, a mesma que se reunia em sítios para fritar os miolos enquanto procurava por caminhos para derrotá-la, oposição que fez de tudo para macular à sua imagem pessoal, tudo em vão, ela não só os derrotou como os massacrou nas urnas.
Cap. 4 “Fim de um Status Quo da política em Marituba”
Patrícia Alencar não pode mudar as regras do Xadrez, nele, os Reis continuam sendo as peças centrais, mas ela mudou a política de Marituba, acredito que até dias atrás, alguém daquela famigerada oposição ainda duvidava, mas depois de outro lance brilhante, quaisquer dúvidas caíram por terra.
De um “perfil reservado”, “vazou” um vídeo íntimo, os ataques desferidos pela oposição, que não aprendeu com a derrota, fez com que Patrícia Alencar ganhasse holofotes no Brasil inteiro, seu perfil oficial ultrapassou a marca de 1 milhão de seguidores, deixando seu objetivo mais suscetível para às eleições de 2026.
Patrícia Alencar jogou nomes tradicionais da política maritubense para o cesto: levou Mário Filho para a insignificância, fez de Antônio Armando seu Yorkshire, transformou o Widson Mello em “morto-vivo”, apequenou Everaldo Aleixo e descartou Branco Aleixo, mas e o Moysés Mendes? Ah… Esse não passou de um trampolim e de uma bola.