Transporte coletivo na Região Metropolitana da grande Belém e o velho problema do ir e vir à capital paraense
A problemática do transporte coletivo na RMB perdura por décadas, e com a expansão da região que agora vai até Barcarena, onde este município foi oficialmente incluído na Região Metropolitana de Belém (RMB) em abril de 2023, por meio da Lei Complementar nº 164/2023, após aprovação na Assembleia Legislativa, essa dinâmica de problema se aguça dentro da área que circunvizinha a capital paraense. Mas o estorvo do ir e do vir dentro da RMB está nos municípios próximos, via terrestre, da capital. Além da dubitável situação do gargalo de veículos, principalmente nos perímetros de Belém e Ananindeua, e Ananindeua e Marituba, onde as frotas sucateadas além de provocarem a lentidão na saída e entrada de Belém, proporcionavam vexame e desconforto a usuários dos transportes coletivos. A saída para tudo isso foi o projeto BRT Metrópole, idealizado no primeiro governo de Almir Gabriel, em 1995, onde a BR-316 foi duplicada até Castanhal e a região metropolitana da grande Belém se esticou até Benevides. Porém, foi no governo de Simão Jatene que os estudos começaram para a implantação do sistema viário, onde posteriormente mais municípios foram incorporados à RMB, como Santa Bárbara do Pará, Santa Isabel do Pará e Castanhal.
O projeto do BRT Metropolitano no Pará teve estudos iniciados por volta de 2013, ganhando forma com o programa Ação Metrópole, sendo o projeto apresentado oficialmente em novembro de 2016, com obras e licitações previstas para começar logo após a cessão da BR-316 para o estado em 2016. De Ananindeua até o terminal em Marituba, o chamado “Via Metrópole” passou a sair do papel no governo Helder Barbalho, em 2019, onde passou a se chamar “BRT Metropolitano”. Na COP 30, em novembro de 2025, o BRT (Bus Rapid Transit) ou Busque Transporte Rápido foi inaugurado, onde se foram 12 anos de espera.
As linhas troncais e alimentadoras sempre foram apontadas como o grande problema à melhoria do transporte coletivo na ponta na RMB, pois as numerosas áreas na circunvizinhanças de bairros na RMB, principalmente oriundas de invasões, em longínquos lugares são o desafio, com os muitos ônibus necessários para deixar esses inúmeros passageiros em seus destinos. Segundo a Semob, responsável pela gestão do sistema de transporte público em Belém, há 113 linhas de ônibus na capital, com uma frota perto de 1088 ônibus. Já em Ananindeua, segundo a secretaria que cuida da organização do transporte público no município, existem 17 linhas de ônibus intramunicipais, com cerca de 110 veículos. Em Marituba, antes dos ônibus do BRT, existiam 12 linhas, com aproximadamente 60 ônibus. E em Benevides, eram por volta de 5 linhas, com uma frota que chegava a 10 ônibus. No município de Santa Bárbara do Pará, a situação é bem pior, onde só havia uma linha para a capital, com pouco mais de 3 ônibus. Por esses números, são cerca de 148 linhas que fazem o transporte urbano na RMB, incluindo os municípios de Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides e Santa Bárbara do Pará (com tarifa regulada por Belém), com cerca de pouco mais de 1200 ônibus para uma população aproximadamente de 1.978.620 habitantes. Todavia, o problema não estava somente na escassez de ônibus, mas também no sucateamento da frota.
Com a chegada da empresa BRT Amazônia S.A., esta administrando uma frota de 265 ônibus (com 40 elétricos) e responsável pelas estações e bilhetagem, visando integração metropolitana com tarifa única, com início da operação plena em 2026 e investimento significativo. O projeto, segundo a propaganda do Governo do Estado, financiado em parte pela Caixa Econômica Federal, visando modernizar o transporte em Belém e região, com veículos novos, ar-condicionado, Wi-Fi e acessibilidade, substituindo parte da frota antiga.
Empresa BRT Amazônia S.A integra o grupo Next Mobilidade. Este Grupo é líder em transporte metropolitano no Brasil, focada em modernizar o setor com ônibus elétricos, trólebus e tecnologias sustentáveis, operando principalmente no ABC Paulista e expandindo para novos projetos como o BRT de Belém, sendo parte de um grupo maior com raízes na fabricação de veículos elétricos (Eletra) e buscando ser referência em inovação e qualidade no transporte público.
O interessante, que a chegada dessa empresa no Pará, assinando contrato com o governo do estado, onde tem validade de 15 anos e abrange a operação do sistema tronco-alimentador, além da gestão da Garagem Metropolitana, da frota e das estações de recarga, bem como dos serviços de limpeza, conservação e segurança dos bens públicos vinculados ao sistema, foi logo impactante, num contrato de 3 meses, no período da COP 30, como mostra extrato publicado pelo governo do estado, ganhou logo mais de 31 milhões de reais, isso para os ônibus circularem praticamente vazios dentro da RMB.
Mas outro fato que chama atenção são os destinos dos “geladões”, comprados com dinheiro público, lembremos as informações do governo do estado sobre a compra de ônibus: “Em novembro de 2023, o Governo Federal liberou R$ 368,7 milhões para a compra de 265 novos ônibus climatizados destinados a Belém, visando a COP-30. Posteriormente, a frota total prevista ou entregue para a região metropolitana chegou a 300 veículos. O Governo do Pará, em parceria com a Prefeitura de Belém e o Sindicato das Empresas de Transporte (Setransbel), implementou a operação desses ônibus, que incluem Wi-Fi e ar-condicionado”. Os ditos geladões, por exemplo, foram cantados em versos e prosas no município de Benevides, mas inesperadamente foram retirados de circulação, onde somente raríssimos ônibus do atual BRT fazem o serviço até o terminal de Marituba, assim subsequentemente aconteceu em outras áreas da RMB, os geladões sumiram.
A diminuição significativa da frota dentro da RMB trouxe outra dor de cabeça ao usuário, que chega atrasado ao trabalho, às consultas e exames médicos e na escola, porém, a empresa que teve o financiamento de R$ 368,7 milhões via Caixa Econômica Federal para vender os veículos ao povo do Pará, ganha mais de 10 milhões mensal para administrar os poucos ônibus, onde andam praticamente vazios, cobra ao usuário, que pagou pelo ônibus, e este usuário continua amontoados horas nas antigas paradas esperando um alternativo para no mínimo chegar próximo de casa, enquanto as novas estações vivem praticamente vazias, pois no parece que até então o BRT Metropolitano fracassou, e como de costume, mas propaganda do que avanço e melhorias de verdade.
