O que fez Patrícia Alencar desistir de concorrer para deputada federal?
De cara, a prefeita foi indiciada em dois processos ancorados pelos Ministérios Públicos do Estado e Federal; sua gestão foi alvo de uma operação do Ministério Público do Pará (MPPA), que ocorreu numa manhã de segunda-feira, 29 de setembro de 2025, onde investiga uma série de crimes contra a administração pública. Batizada de Operação Lifestyle, a ação apura suspeitas de fraude em licitações, peculato, corrupção ativa e passiva, e associação criminosa, focando em contratos de informática da gestão municipal. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na residência da prefeita, na sede da prefeitura e em empresas que, segundo as investigações, estariam diretamente envolvidas no esquema. O MP suspeita que os processos licitatórios eram direcionados para favorecer empresas de fachada, sendo que uma delas sequer funcionava no endereço registrado. A apuração também busca determinar se parte do dinheiro público desviado retornava para a prefeita em forma de propina.
No mesmo mês também aconteceu a primeira fase da Operação Expertise, que investiga desvios de verbas federais da saúde e educação em Marituba (PA), teve sua primeira fase deflagrada no dia 2 de setembro de 2025, e a sua segunda fase, em 9 de outubro de 2025. A ação da Polícia Federal e CGU resultou em prisões, incluindo a da vice-prefeita, e busca e apreensão. Nessa investigação da PF, CGU, com a participação do MPF, investiga-se um esquema de fraude, lavagem de dinheiro e desvio de cerca de R$ 198 milhões em contratos públicos de saúde e educação no Pará (FUNDEB/FNS). A investigação foca em licitações direcionadas para empresas de fachada com simulação de contratos, direcionamento de licitações e saques em espécie para pagamento de propina, inclusive, a vice-prefeita de Marituba, Bárbara Marques, foi filmada com uma sacola da “Arezzo”, supostamente com dinheiro ilícito na garagem da Alepa.
Na segunda fase da Operação Expertise, que culminou com a prisão da vice-prefeita Bárbara Marques, quando ela chegou a passar pelos procedimentos para ficar detida num presídio feminino, a prefeita imediatamente exonerou esta do cargo de secretária de Educação, onde acumulava o cargo, abrindo caminho para as mexidas jurídicas, e ao anoitecer, através de um Habeas Corpus, Bárbara Marques foi solta, porém, com várias restrições, dentre estas não poder transitar nas repartições da prefeitura.
A operação acertou em cheio no gabinete do presidente da Alepa, deputado estadual Chicão, e este entrou na mira das investigações, contudo, mais uma liminar entra em cena, dessa feita, conseguida pelos advogados do deputado, onde apresentaram numa corte superior em Brasília, que por ter foro privilegiado, o deputado não poderia ser investigado pela justiça federal no Pará, mas por Brasília, assim, as investigações paralisaram eventualmente e Bárbara Marques pode refazer as suas dobradinhas administrativas com a prefeita.
Entretanto, se a prefeita vier a largar o mandato, sai do raio de alcance da liminar do deputado e das investidas de defesa de seus advogados em Brasília, aí poderia ter sérios problemas na justiça federal do Pará.
Assim, o verdadeiro motivo da prefeita de Marituba não vir a abandonar o cargo e concorrer à câmara federal, não é por problemas políticos, mas sim na justiça, onde responde por problemas detectados nas Operações Lifestyle e Expertise.
Já a Operação Abadom, realizada numa terça-feira (31/3) pelas polícias civis do Pará e do Amapá, com apoio da Polícia Federal, não tem nada a ver com as duas acima citadas, essa foi mais uma contemplação de como o governo de Patrícia Alencar está recheado de problemas e de infiltrações do submundo do crime organizado, dessa feita, do tráfico de drogas.
