Que melhorias os ‘geladões’ trouxeram à população?

Na maioria dos municípios brasileiros, o transporte público não atende as demandas da população de forma adequada. Há problemas como falta de investimento em infraestrutura, insuficiência de frota de veículos, baixa qualidade dos serviços, sistemas de acessibilidade inexistentes ou falhos, falta de integração modal e tarifas caras. Essas adversidades levam à dependência do transporte individual, contribuem para o congestionamento e geram exclusão social.
Muitas cidades brasileiras sofrem com congestionamentos diários, o que resulta em perda de tempo, estresse e impactos negativos no meio ambiente. A falta de planejamento adequado, a densidade populacional e a dependência excessiva do transporte individual agravam esse problema.
O Ministério das Cidades liberou recursos para a compra dos ônibus pelo Governo do Pará, através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de financiamento do BNDES. O valor total liberado foi de R$ 634,8 milhões para a aquisição de 503 novos ônibus. Esses recursos foram destinados para a renovação da frota de transporte público nas regiões metropolitanas de Belém e Santarém, além do município de Parauapebas.
Em detalhes, o Ministério das Cidades liberou R$ 368,7 milhões para a compra de 265 ônibus para a Região Metropolitana de Belém, como parte do programa Avançar Cidades. O governo do Pará também entrou com uma contrapartida de R$ 19,4 milhões para essa renovação da frota. Além disso, o PAC Mobilidade, do governo federal, e um financiamento do BNDES também contribuíram para a aquisição de 503 novos ônibus, sendo 100 deles elétricos. O restante da frota será composto por ônibus a diesel com motorização padrão ‘Euro 6’ e alguns movidos a gás natural.
No início de outubro de 2024, o governo do Pará anunciou a renovação da frota do transporte público da região metropolitana de Belém, com 300 novos ônibus com ar condicionado e rede wi-fi. Estes ônibus são para circular pelos bairros e não fazem parte do BRT Metropolitano. Segundo o governo do estado, a distribuição desses ônibus tem a parceria com prefeituras e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém. O acordo ainda deve garantir isenção tributária às empresas que executarem o serviço, condicionadas a metas de melhorias. Renovação da frota faz parte do projeto para apresentar Belém como uma cidade mais sustentável para a COP-30.
A problemática do transporte coletivo na RMB não é de agora, somente se agravou em 50 anos, onde o projeto do BRT Metropolitano de Belém teve início em janeiro de 2019, com a assinatura da ordem de serviço em dezembro de 2018. Embora o contrato original previsse a conclusão em 19 meses, o término ainda não aconteceu, onde já houve até prisões em função de corrupção nas obras, e no final, o sistema é pouco usado, onde os ônibus sucateados são ainda que fazem o transporte da população, principalmente para a periferia.
No caso do Metropolitano, que ligará Belém a Marituba, atualmente, a previsão é que os primeiros corredores comecem a operar em fase experimental até dezembro de 2025, com funcionamento integral estimado para 2026, com um investimento total estimado em mais de R$ 400 milhões de reais.
Segundo a Semob, responsável pela gestão do sistema de transporte público em Belém, há 113 linhas de ônibus na capital, com uma frota perto de 1088 ônibus. Já em Ananindeua, segundo a secretaria que cuida da organização do transporte público no município, existem 17 linhas de ônibus intramunicipais, com cerca de 110 veículos. Em Marituba, existem 12 linhas, com aproximadamente 60 ônibus. E em Benevides, são por volta de 5 linhas, com uma frota que não dá 20 ônibus. No município de Santa Bárbara do Pará, a situação é bem pior, onde só há uma linha para a capital, com pouco mais de 4 ônibus. Esses números podem ser inferiores, em função dos ônibus e micro-ônibus estarem bem sucateados e passarem horas em ações paliativas de reparo.
Por esses números, são cerca de 148 linhas que fazem o transporte urbano na RMB, incluindo os municípios de Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides e Santa Bárbara do Pará (com tarifa regulada por Belém), com cerca de 1282 ônibus para uma população aproximadamente de 1.978.620 habitantes. Todavia, o problema não está somente na escassez de ônibus, mas também no sucateamento da frota, onde 265 ônibus não renovam nem em 10%.
E o pior, o mais demagogo, não são as propagandas institucionais do governo no seu remédio, precariamente paliativo ao problema, é querer tirar proveito de uma situação que só atrasa o Pará e a cada propaganda estressa ainda mais a população da região metropolitana da grande Belém, pois a dor continua e a gravidade do problema continua.