O xadrez político de Benevides pós-eleições 2026

Quadro que indica os nomes que pretendem demonstrar forças em 2028.

No pleito deste ano, o município contou com um total de 49.269 eleitores, dos quais 41.355 compareceram às urnas e 7.914 se abstiveram. A prefeita Luziane Solon, junto ao seu grupo político, mostrou que, dentro da Região Metropolitana de Belém (RMB), ela fez a diferença para os ideais do clã Barbalho, mesmo com a "onda azul" em queda na maioria dos municípios vizinhos.

A sua disputa local foi marcada pelo embate com Ronie Silva para deputado estadual, onde mesmo Elcione Barbalho sendo derrotada, em Benevides foi a deputada estadual mais votada, com 6.501 votos, tendo em seu calcanhar o deputado estadual Ronie Silva com 5.139 votos.

Para governo do estado, Hana Ghassen obteve 55,46% dos votos válidos contra 43,07% de Dr. Daniel, e para o senado, Helder teve 30,33% dos votos válidos, Chicão 26,46% e Éder Mauro 20,31%. Diante desse cenário político, Luziane e seu grupo foram os protagonistas ao não desfalecimento de vez do MDB na região.

Contudo, este não foi o único fator positivo para a política de "Lu", como a prefeita é conhecida em Benevides. Jader Filho (MDB) obteve para deputado federal 9.527 votos, o mais próximo foi Cássio Andrade, também do MDB, apoiado pelo vereador Pablo Ortega (PSB), que obteve 4.076 votos.

Por outro lado, a prefeita benevidense precisará dar continuidade a algumas obras essenciais, como o hospital do município, que depende do governo do estado. Como ela não conseguiu eleger um deputado estadual diretamente ligado a si, precisará de um intermediário. Quem seria esse nome?

Em todo esse cenário pós-resultado das eleições de 2026 no Pará, os aliados do governador eleito em Benevides têm uma árdua tarefa pela frente: pensar na possibilidade de formatar um grupo forte sem a presença de Luziane e de Ronie Silva. Para isso, precisarão demonstrar capacidade de aglutinar lideranças expressivas, como Bitão Begot, que garantiu 1.833 votos para o deputado estadual Watanabe; Valderi França, que somou 1.108 votos para Dilvanda Faro; e o próprio Zé Begot, que obteve 1.336 votos para Priante — além de outras lideranças com grande potencial de votos que estão inseridas no grupo da atual prefeita.

Dentro da costura para a campanha de Dr. Daniel em Benevides, a ex-vereadora Sandra Campana esteve à frente das articulações. Já Fabiano Carvalho não pareceu tão ativo, pois apoiava o emedebista Iran Lima para deputado estadual — que somou em Benevides 1.130 votos. Acredita-se que Fabiano evitou se expor excessivamente para não demonstrar contradição. Há quem diga, também, que o vereador Pablo Ortega (PSB) jogou nos dois lados, já que apoiava outro emedebista para deputado federal.

Agora, a disputa gira em torno de saber quem receberá a "bênção" do governador eleito para a disputa à prefeitura. Sandra Campana, Fabiano Carvalho e Pablo Ortega ainda enfrentam um obstáculo para alcançar esse favoritismo: o apoio político pode acabar indo para as mãos do deputado Ronie Silva. Afinal, neste exato momento, o governador eleito precisa do voto de Ronie na eleição à nova presidência da Alepa.

Outro ponto a se considerar é a possibilidade de o novo chefe do Executivo paraense entender que, devido à forte liderança política demonstrada nas urnas pela atual prefeita na "Terra Berço da Liberdade", ela seja uma figura interessante para o diálogo. Para quem busca a queda definitiva dos Barbalhos no Pará, pode ser mais estratégico atrair os antigos aliados do clã para a base do novo governo do doutor do que romper e brigar com eles.

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Jece Cardoso

Colunista

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