Do barco à inovação, e como Algodoal pode virar referência em gestão de resíduos

Ilha de Algodoal, município de Maracanã.

A charmosa Ilha de Algodoal, no litoral do Pará, município de Maracanã é daquelas joias raras onde a natureza ainda dita o ritmo — e, por isso mesmo, o lixo não tem direito a temporada por lá. Em uma decisão coerente com seu status de Área de Proteção Ambiental (APA), a prefeitura de Maracanã retira há muitos anos os resíduos por embarcação até o continente, a sede do município, numa operação que onera os cofres públicos. Funciona, mas convenhamos… é uma solução que navega mais no esforço do que na inovação.

Em tempos em que o Brasil já testa soluções inteligentes e de baixo custo, dá pra imaginar Algodoal virando referência — e não só cartão-postal.

Especialistas sondados pelo Blog apontam uma saída prática que é a compostagem comunitária, já adotada em várias cidades. Restos de alimentos viram adubo para áreas verdes, reduzindo drasticamente o volume de lixo orgânico (que costuma ser mais da metade do total). Além de ecológico, ainda devolve nutrientes ao solo — coisa que a natureza agradece sem fazer reclamação.

Outra alternativa eficiente são os ecopontos com triagem simples. Separar plástico, vidro, metal e papel na origem facilita a destinação correta e até pode gerar renda com cooperativas de reciclagem. Menos volume, menos viagens de barco, mais economia. Recentemente, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Maracanã entregou garrafas de vidro para reciclagem coletadas durante o ano de 2025 na Ilha de Algodoal, Fortalezinha e na sede do município.

Há também tecnologias acessíveis como os biodigestores compactos, já usados em comunidades rurais e ilhas pelo Brasil. Eles transformam resíduos orgânicos em biogás (energia limpa) e biofertilizante. Ou seja: o lixo vira recurso — praticamente uma reencarnação sustentável.

E para fechar o pacote, campanhas de educação ambiental com aquele jeitinho bem paraense – já bem utilizadas pela Secretaria de Meio Ambiente — direto, criativo e com humor — fazem toda diferença. Porque não adianta ter solução moderna se o lixo continua sendo tratado como “problema dos outros”.

No fim das contas, Algodoal já faz muito ao não aceitar o lixo parado. Mas pode ir além: transformar o problema em exemplo. E aí, em vez de exportar resíduos, passa a exportar uma ideia — muito mais leve, inteligente e, diga-se de passagem, sem cheiro nenhum.

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