Os bastidores de Marituba: Promessas quebradas e articulações para 2028 balançam base governista

Prefeita Patrícia Alencar e o vereador Dr. Diego Rodrigues, ambos do MDB

O clima de aparente harmonia que reinava no MDB de Marituba após as eleições de 2026 acaba de azedar de vez. Nos corredores da política local, o que se comenta é que a prefeita Patrícia Alencar desafinou o tom e rompeu um acordo crucial com um de seus principais aliados: o vereador Dr. Diego.

O estopim do mal-estar tem nome e sobrenome: a presidência da Câmara Municipal. Dr. Diego tinha como promessa carimbada o apoio da gestora para assumir o comando do Legislativo. No entanto, no último dia 15 de outubro, as articulações de Patrícia Alencar tomaram um rumo inesperado, deixando o parlamentar a ver navios. O motivo? O fantasma de 2028. A prefeita teria descoberto o interesse velado do vereador em disputar a eleição majoritária daqui a dois anos, inclusive ensaiando uma aliança audaciosa com o grupo do novo governador eleito do estado — uma movimentação que Patrícia encarou como uma traição precoce.

Ao ver o tapete ser puxado nos bastidores, Dr. Diego não escondeu a contrariedade. A interlocutores, ele solta farpas e insinua que a prefeita sofre de "memória curta", lembrando que sempre foi um parceiro leal e o escudo dela nos momentos mais turbulentos de sua trajetória política.

Como na política o inimigo do meu inimigo vira o melhor amigo, o caldo entornou de vez. Aproveitando-se do rolo compressor que a prefeita tenta passar na Câmara para reprovar as contas do ex-prefeito Mário Filho (atual chefe do PL no município), uma aproximação perigosa começou a desenhar-se. Fontes garantem que Mário Filho e Dr. Diego já falam a mesma língua. Para piorar o pesadelo político de Patrícia, até o seu ex-marido, Moysés Mendes, entrou no tabuleiro: ele teria enviado um emissário para sondar o vereador, propondo uma parceria bombástica para golpear o grupo governista em 2028.

Contudo, nem tudo são flores para o Dr. Diego. O grande calcanhar de Aquiles do parlamentar é a falta de musculatura financeira e de estrutura política para blindar o seu próprio grupo, que hoje sobrevive sob as asas e as benesses da máquina pública de Patrícia Alencar. Romper definitivamente com a prefeita agora seria um suicídio político, capaz de desidratar sua base num estalar de dedos.

Sem estrutura própria, o vereador joga parado e joga com o tempo. Ele agora aguarda o tamanho do "oxigênio" que o grupo do governador eleito, sob a articulação cirúrgica de João Salame, colocará na mesa para valer a pena o risco de pular do barco. Enquanto o xeque-mate não vem, o Dr. Diego se tranca em um silêncio enigmático, evita dar respostas definitivas sobre as conversas paralelas e implora por "calma" aos correligionários que já batem à sua porta em Marituba, ansiosos para fundar a nova oposição rumo a 2028.

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Jece Cardoso

Colunista

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