Entrevista com Eloizo de Vasconcelos

Eloizo de Vasconcelos

Para esta publicação trouxemos para um bate-papo o escritor maritubense, que também é formado em Administração Escolar e Bacharel em Direito. Estamos falando de Eloizo de Vasconcelos, 59 anos, casado e pai de dois filhos, descendente de Luíz de Vasconcelos, funcionário público federal e dona Elvira Neves de Vasconcelos, esta ocupada com os afazeres domésticos. Atualmente, como profissional na área da educação, está vinculado à prefeitura de Belém, como professor e pelo estado como técnico educacional, com 29 anos de trabalho.

Iniciou seus estudos na extinta escola Padre Anchieta, em seguida na escola Benedito Bezerra Falcão, sendo aluno da primeira turma da escola em 1976, escolas estas históricas em Marituba.

Eloizo, como é conhecido, tem uma relação de amizade bem próxima e histórica com o jornalista Jece Gomes Cardoso, onde se criaram juntos no bairro Boa Vista, periferia da antiga vila operária da estrada de ferro, Marituba.

Este faz uma narrativa interessante de como conheceu o jornalista em sua infância e sobre a amizade destes, onde diz: “Conheci o Jece nos campinhos de pelada pelo Boa Vista, onde sempre estávamos pelo campo da Sagri, quando nem era da Sagri; pelo campo do antigo Grêmio; pelo campo do Seu Luís Pesão e por outros pela área onde nos criamos. Estudei com ele na escola Fernando Ferrari e na juventude estudamos juntos para prestar o vestibular, eu o emprestava as minhas apostilas da escola denominada de Colégio Rutherford, um conceituado estabelecimento de ensino na época na capital, onde fui fazer meu intensivo lá e ele ficou pela escola Fernando Ferrari, mas mantínhamos quase todos os dias diálogos para conversarmos sobre o preparatório ao vestibular!”.

Eloizo também faz narrativa sobre a sua militância nos movimentos políticos e sociais em Marituba, onde nos conta: “Desde cedo militei na política estudantil local, em 1985 participei do movimento para a criação do grêmio estudantil da escola Fernando Ferrari!”. E destaca: “Em 1994 ajudei na fundação da Associação dos Universitários de Marituba (ASSUMA). Tal entidade teve papel ativo no processo de emancipação da vila que veio se tornar município. Através da mesma entidade lideramos uma campanha, com abaixo assinado para a criação da linha UFPA-Marituba. Projeto levado à câmara municipal de Ananindeua, pelo saudoso vereador Manuel Rocha, e aprovado por unanimidade e que hoje é uma realidade!”.

Conte-nos mais sobre esse movimento universitário em Marituba. Eloizo de Vasconcelos: “Logo após o ano que eu e o Jece tínhamos passado no vestibular, ele na UFPA e eu na UNAMA, tínhamos uma dificuldade enorme de chegar até Marituba, principalmente à noite, ele vindo do Guamá e eu da Alcindo Cacela, centro de Belém, bairro Umarizal, mas não éramos somente a gente, tinha outros estudantes que padeciam nessa jornada para estudar. Então me veio essa ideia e fui e falei para o Jece, que como presidente da Assuma na época e já tinha o jornal dele, O FERROVIÁRIO, marcou uma ida nossa com o então vereador, eleito pela vila, Manoel Rocha, para falarmos sobre esse assunto da linha de ônibus até a UFPA. Projeto levado à câmara municipal de Ananindeua e aprovado por unanimidade, que hoje é uma realidade. Não esquecendo, que a Assuma teve como fundadores eu, ele, a Cristina Bandeira, Socorro Bandeira, Márcia Bandeira, Elielson Farias, Michel Pinho e a Flávia Gomes!”. E completa: “A ideia da criação tive, logo após a minha entrada na Unama, e junto com o Jece mobilizamos os demais estudantes à criação da associação. E tivemos importante participação no movimento de emancipação de Marituba, pois foi através dessa associação universitária, que surgiu o Movimento Jovem Pela Emancipação de Marituba (MOJOPEM), onde este foi de escola em escola no território e a ser emancipado para falar da importância de se emancipar Marituba, nos juntamos com estudantes da escola Fernando Ferrari para esse feito, marco estudantil importante para a história de Marituba!”.

Em 1991, Eloizo iniciou o seu estudo superior para antiga Unespa, hoje Unama, e no ano seguinte via vestibular, transferiu-se para a UFPA, no curso de Pedagogia.

Em 1993 fez parte do Diretório Acadêmico e por três anos consecutivos foi um dos líderes do diretório.

Em 1996 vieram as eleições municipais, onde se apresentou como pré-candidato a vereador, quando já havia concluído o curso com habilitação em administração escolar, e no inicio do referido ano ocorreu concurso público no estado do Amapá, no qual foi aprovado e nomeado no mês de julho, daquele mesmo ano, abdicando assim do sonho de representar seu município no legislativo municipal.

Perguntado sobre a sua experiência no estado vizinho do Amapá, Eloizo nos disse: “Tralhei como professor efetivo nesse estado, por quatro anos, sendo que por três anos de forma itinerante, pelo sistema modular, onde conheci quase todos os municípios do estado do amapaense, de Oiapoque ao Jari!”. E completa: “No ano de 2000 me casei com uma professora marajoara e juntos abandonamos o referido estado, indo morarmos no munícipio de Muaná, no Marajó, de volta ao Pará. Lá permaneci por 10 anos, atuando como diretor de escolas municipais e em um colégio estadual de ensino médio por quase cinco anos!”.

Em Muaná recebeu o título de cidadão muanense por conta dos relevantes trabalhos prestados em prol da educação local. Neste período, concluiu uma pós-graduação em gestão de sistemas educacionais pela PUC de Minas Gerais.

Em 2010 regressou à nossa capital e em 2011 foi aprovado em concurso público de Ananindeua, como técnico educacional, onde trabalhou por um ano e meio.

Em 2012 foi aprovado em concurso público no município de Belém, e pela Semec exerce a função de professor.

Neste período ocupou a vice-direção de grandes escolas em Belém, como Ulisses Guimarães, no bairro de Nazaré e Prof. José Alves Maia, no bairro do Telegrafo.

Em 2016 recebeu menção honrosa da Academia Paraense de Letras pelo livro: Andanças Minhas, que posteriormente foi lançado na feira “Pan-Amazônica do Livro”.

Em 2015 iniciou o curso de Direito, mas foi interrompido pela pandemia e pala dedicação em escrever. Porém, em 2025, concluiu e se tornou Bacharel em Direito.

Em 2018 liderou o movimento de criação da Academia de Letras de Marituba, sendo um dos patronos fundadores e ocupando a cadeira nº 08.

Indagado sobre as suas obras, Ele nos diz: “Apesar de ter muito material escrito, sou um escritor independente e tudo depende do meu tempo, em função de minhas outras ocupações, mas já lancei três livros: Andanças Minhas; O Urubu Doutor, e recentemente, Os filhotes de Dona Felina!”.

Em suas considerações finais nos disse: “Agradeço a oportunidade me concedida por esse histórico e importante jornal, que sempre procura valorizar os artistas, os escritores e a cultura local, e ao editor desse periódico, o qual conheço a sua história que é de grande importância a Marituba!”. E encerra: “Marituba também é minha terra, meu lugar!”.

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