Entrevista com o DJ Betuel
Para esta publicação trouxemos para uma boa conversa o DJ Antônio Betuel Moreira da Rocha, 57 anos, união estável, dois filhos e além da atividade de Disc Jockey, é empresário no ramo de alimentos. Natural de Marituba, onde seu avô tem uma interessante história em Marituba, Dico Moreira, transformou a esquina da Rua da Assembleia (atual Primeiro de Maio) com a Cláudio Barbosa da Silva, num verdadeiro point da galera, principalmente aos domingos, onde seu movimentado comércio era o local para se ver as novelas, o Jornal Nacional, o Fantástico e jogos de futebol numa tela de TV. Ali os amigos também se encontravam para jogarem dama, baralho e dominó, quando se tratava de entretenimento, o local na época era o “Canto do Dico Moreira”, onde também se tinha o saboroso tacacá da Dona Peta.
Betuel, como é conhecido, estudou nas escolas Padre Anchieta e Fernando Ferrari, na adolescência e juventude, um apaixonado de House Music, daí foi um paço para se transformar num dos maiores DJ do Brasil, onde ressaltou: “Foi em 1983, quando toquei recebendo meu primeiro cachê na Boate Casa da Gente, em Ananindeua, o início de tudo!”.
Completa: “Na verdade já comecei em Ananindeua, com pista cheia, era um clube famoso, onde frequentava a nata da sociedade da cidade! Depois já em 1987 recebi o convite para fazer o RDC (Rauland Disco Club) junto com Jimmy Night!”.
Perguntado sobre o que era ser DJ na época de 80? Betuel disse: “Ser "deejay" na época de 1980 era bem difícil, porque os discos que usamos são importantes Remix, e no Brasil não tinha onde comprar e quando se encontrava, era uma fortuna! Equipamentos como Headfone, agulhas Ortofon , toca-discos e mixador tudo muito caro e de difícil acesso, mas quando você gosta não existem barreiras físicas as dificuldades se tornam em oportunidades ! Lembro muito bem, que eu não tinha conceito próprio de Dance Music e os Dj's da Capital na época de 1980 me chamavam de “caboquinho” de Marituba, tinha 15 anos em 1983.
Hoje o Betuel Rocha musicalmente falando está bem mais lapidado e pronto para qualquer pista do universo Dance Music!”.
Questionado sobre a diferença do DJ de sua época para o DJ de hoje em dia? Disse: “A diferença do DJ de Vinil para o Dj Virtual é somente a lapidação do diamante, a informação faz toda a diferença, precisa-se literalmente manter a vibe (vibração) da pista, para não perder o público, uma música certa na hora errada é desastre total!”.
Indagado sobre eventos marcantes, Betuel Rocha disse: “Eventos marcantes fora e dentro do Estado, o que mais marcou e fez me sentir como artista: foi quando participei de duas edições da “Tenda Motomix”, aqui em Belém, com milhares de pessoas na pista! Aquela energia inexplicável foi demais! E também outro episódio foi no “Amapá Tronik”, em Macapá, com milhares de pessoas na vibe do meu som! Momentos incríveis!”.
Betuel também comentou sobre a sua atualidade como DJ, onde frisou: “No âmbito atual sou residente do Projeto SO80 Belém-Pará há 20 anos e também sou a voz do programa SO80!”. E completa: “Às vezes olho para trás e se fosse possível na outra vida faria tudo de novo! Hoje me apresento em grandes eventos de Dance Music, onde a vibe é sempre infinita e a noite nunca acaba!”.
Em suas considerações finais, disse: “Agradeço a oportunidade e desejo cada vez mais sucesso ao editor desse jornal, que é meu amigo desde minha adolescência, quando estudamos juntos na escola Fernando Ferrari e “Salve o velho e atual disco de vinil!”. House Music é amor, libertação, respeito, compreensão e um estado de espírito! House Music é sentimento!”.
