TRAIÇÃO OU OPORTUNISMO? A guerra secreta pelos bastidores do novo governo em Benevides

Sandra Campana e os vereadores citados no texto.

As urnas de 2026 mal fecharam e o clima político em Benevides atingiu o ponto de ebulição. O motivo? Uma corrida desenfreada — e um tanto cara de pau — para ver quem consegue se batizar como o verdadeiro aliado do governador eleito, Daniel Santos.

Mas a matemática eleitoral e a memória do povo não falham. Vamos aos fatos, aos números e às máscaras que começam a cair: por mais que alguns tentem criar narrativas, a realidade nua e crua da Região Metropolitana é uma só: Daniel Santos não foi bem em Benevides. A prefeita Luziane Solon mostrou força total, e a candidata oficial do MDB, Hana Ghassan, venceu no município com uma margem considerável: obteve 55,46% dos votos válidos contra 43,07% de Daniel.

Todos os candidatos apoiados pela prefeita garantiram votações expressivas na cidade. Jader Filho conquistou uma excelente votação para a Câmara Federal, liderando com 9.527 votos. Já a tradicional Elcione Barbalho consolidou-se como a candidata a deputada estadual mais votada no município, somando 6.501 votos, apesar de não ter sido eleita.

Agora que Daniel Santos venceu o pleito estadual, os bastidores políticos de Benevides estão cheios de "falsos profetas" gritando que sempre foram aliados. Mas onde eles estavam na campanha?

Sandra Campana (A Lealdade): Enquanto muitos se escondiam, a ex-vereadora foi a única que realmente deu a cara a tapa, vestiu a camisa e empunhou a bandeira de Daniel Santos em Benevides.

Os Invisíveis da Campanha: Onde estavam os vereadores Nixon Sanches, Pablo Ortega e Simão Vitalino quando o bicho pegava nas ruas? Escondidos atrás das cortinas azuis.

Pablo Ortega corria na onda azul atrás de votos para o emedebista Cássio Andrade.

Simão Vitalino estava focado nos templos da Universal, buscando votos para os candidatos da denominação de Edir Macedo.

Nixon Sanches, vereador do MDB, é hoje o mais exaltado nas sinagogas da política benevidense. Age como o grande articulador do município e vangloria-se de supostas conversas diretas com o governador eleito durante a campanha — o que, se for verdade, só escancara sua infidelidade histórica com o próprio partido, um político que mostra que a prostituição política é a sua maior marca.

Mas o poder de fogo de Nixon foi colocado à prova e o resultado foi pífio: sua principal candidata a deputada federal (em meio ao mistério se apoiou Lena Pinto ou Dilvanda Faro) não conseguiu se consolidar como um fenômeno de votos, somando pouco mais de 1.200 votos no município (Lena registrou 1.216 votos). Uma votação irrelevante para quem se diz o "rei da articulação".

Se a briga pela bênção do palácio já estava feia, a situação dos vereadores que traíram o grupo da prefeita Luziane Solon tende a virar um pesadelo:

O Fator Fabiano Carvalho: Mesmo tendo apoiado o cacique Iran Lima (MDB) para a Assembleia Legislativa (Alepa), Carvalho correu por fora e já gravou vídeo com Daniel Santos discutindo o futuro de Benevides.

O Fator Ronie Silva: O deputado Ronie Silva, um dos nomes fortes do MDB e bem votado na cidade, mais de 5 mil votos, assumiu as rédeas do Podemos em Benevides para organizar a base do governador.

O veredito: Quem traiu o grupo de Luziane para tentar surfar de última hora na onda de Daniel Santos pode quebrar a cara. Com o tabuleiro se mexendo rápido, o castigo para os infiéis promete ser pesado, empurrando Nixon e seus pares direto para o final da fila do novo governo.

A pergunta que fica nos corredores da Câmara é: Daniel Santos vai valorizar quem vestiu a camisa na derrota em Benevides (Sandra Campana) ou quem pulou no barco depois de pronto ou se dizia com um pé lá e outo cá?

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Jece Cardoso

Colunista